Os cientistas do Ames Research Center da NASA, em Silicon Valley, Califórnia e a Xerox, apresentaram recentemente um sofisticado sistema informático com operador de voz, na Universidade de Michigan, por ocasião da 25ª Conferência Anual de Linguística Computacional. Designado “Clarissa”, o sistema foi desenvolvido com o objectivo de facilitar o trabalho aos astronautas.
“Clarissa é um “assistente virtual de tripulação” totalmente operado por voz, que permite aos astronautas serem mais eficientes com as suas mãos e olhos e concentrarem-se completamente nas suas tarefas enquanto navegam nos procedimentos utilizando comandos de voz”, disse Beth Ann Hockey, líder do projecto da equipa que desenvolveu o sistema Clarissa na NASA Ames.
Os planos contemplam o apelo ao astronauta John Phillips para completar o procedimento de formação do Clarissa a bordo da Estação Espacial Internacional da NASA a 27 de Junho, como preparação para a utilização posterior do Clarissa.
“Esta será a primeira utilização do sistema no espaço”, informou Hockey.
Clarissa é um sistema “mãos livres” e responde aos comandos de voz dos astronautas, lendo em voz alta as etapas dos procedimentos enquanto estes trabalham, ajudando-os a detectar os passos que foram completados, suportando alarmes e temporizadores flexíveis activados pela voz.
Actualmente, os astronautas desempenham cerca de 12 mil procedimentos complexos para manter os sistemas de suporte de vida, inspeccionar os fatos espaciais, conduzir experiências científicas, executar exames médicos e outras tarefas de rotina.
“Tentem analisar uma amostra de água enquanto passam as páginas de um manual de procedimentos num monitor, e enquanto ambos flutuam na microgravidade”, desafiou o astronauta Michael Fincke, que completou recentemente uma estadia de seis meses na Estação Espacial da NASA. “Poder falar com o sistema e ouvir as instruções passo a passo enquanto as minhas mãos estão livres para completar os procedimentos, será como ter mais um membro da tripulação a bordo”. Dado que o sistema é requerido para aceitar sempre um comando de voz, a versão original tentou processar todas as palavras faladas, incluindo conversações entre os membros da tripulação. Como resultado, o Clarissa teve dificuldades em discernir entre conversações e comandos dados ao sistema.
Em 2004, o líder de implementação do Clarissa, Manny Rayner da NASA Ames contactou com o investigador da Xerox, Jean-Michel Renders da Xerox Research Centre Europa em Grenoble, França, sobre uma possível colaboração. Esperavam que a experiência da Xerox na aprendizagem sobre as máquinas, linguísticas e categorização de texto pudesse melhorar a precisão do sistema na tarefa “microfone aberto”.
“A NASA pretendia que o sistema estivesse pronto para assistir a qualquer momento e sem requerer os comandos artificiais de activação”, disse Renders. “Por isso, uma solução simples ’Star Trek’, como ter os membros da tripulação a dirigirem-se ao computador através da declaração de uma simples palavra como “computador” antes de colocarem uma questão ou ditarem um comando ao sistema, não era uma solução viável. Precisávamos de melhorar o desempenho do sistema ao descriminar entre comandos e conversação”.
A tecnologia desenvolvida por Renders para corresponder ao problema de reconhecimento de discurso da NASA foi ainda usada pela Xerox para melhorar os resultados de categorização para a impressão ou digitalização de documentos. Os investigadores da Xerox em Grenoble desenvolveram um conjunto de funcionalidades de software de última geração que facilitam aos clientes da Xerox a gestão dos conteúdos documentais.
A metodologia da Xerox permite uma maior precisão da análise do Clarissa perante cada situação. Pode reconhecer palavras, frases e contextos de palavras e pode agir numa variedade de comandos frásicos em diferentes formas. O sistema procura por todas as palavras individuais numa frase, considera a confiança do sistema para reconhecer correctamente cada palavra individual e utiliza um algoritmo sofisticado de ensino da máquina para pesar as várias peças de informação positivas e negativas.
Isto permite aumentar significativamente a capacidade do sistema para determinar a diferença entre os comandos dirigidos ao sistema e conversas paralelas. Segundo Renders, os melhoramentos eliminaram a taxa de erro do sistema em mais de metade.
O Clarissa suporta actualmente cerca de 75 comandos individuais, que podem ser acedidos utilizando um vocabulário de cerca de 260 palavras. A equipa planeia futuramente aumentar os comandos e acrescentar vocabulário.
“Alguns comandos são muito simples, mas outros muito complexos”, disse Hockey. “A maior parte do tempo estamos apenas a dizer “seguinte” ou “vá para o passo oito”. Mas podemos ter necessidade de dizer algo como “cancele o alarme às 10:25” ou “active o modo de verificação do desafio nos passos três a catorze”.
“Trabalhar com a Xerox no Clarissa revela os enormes benefícios de formar parcerias de colaboração entre organizações de pesquisa”, acrescentou Hockey.
A Xerox é uma das empresas de inovação tecnológica mais importantes do mundo. Possui centros de investigação e tecnologia nos Estados Unidos, Canadá e na Europa que desenvolvem trabalhos na área da ciência da cor, computação, imagem digital, práticas de trabalho, sistemas electromecânicos, materiais inovadores e outras disciplinas relacionadas com o conhecimento da Xerox na gestão da impressão e dos documentos. A Xerox transforma de forma consistente os seus inventos em negócios ao convertê-los em produtos e soluções superiores, utilizando-os como fundação de novos negócios, ou licenciando ou vendendo-os a outras entidades.
Sobre a Xerox Portugal
A Xerox Portugal, maioritariamente participada pela Xerox Limited, está instalada em Portugal desde 1965. Vende Tecnologia, Gestão Documental e Consultoria. Lidera a nível nacional em todos os mercados onde actua. Investe na pesquisa de novas soluções para a área das Tecnologias de Informação e faz parte de um grupo que actua em 150 países, de todos os continentes. Tem sede em Lisboa, concessionários autorizados e outros parceiros espalhados por todo o país. Associada a valores empresariais de orientação para o cliente e inovação tecnológica, qualidade, motivação dos colaboradores, a empresa actua também ao nível da responsabilidade social e de preservação do meio ambiente.





























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